É possível e desejável fomentar o brilho nos olhos dos alunos, que têm o direito a um projeto de vida.
Observamos um número crescente de jovens sem PAIS: sem projeto, sem ambição, sem interesse e sem sonhos. A escola atenta pode fazer muito por esta causa. Na instituição escolar, observa-se um processo de reverberação entre quatro instâncias: a família, a equipe de gestão, os educadores e os educandos. Cada um destes eixos deve estar alinhado e em sintonia com os demais para que os resultados promovam crescimento e bem-estar a todos.
Podemos fazer muito mais e melhor com um acordo de apoio e estratégias claras para a gestão do capital humano no ambiente escolar. A tarefa é tão desafiadora quanto possível, e tanto instituições privadas quanto públicas têm chances de implantá-la com sucesso.
Atuando diretamente com crianças e jovens desde o Ensino Fundamental, podemos atestar o sucesso de uma proposta de trabalho sustentada numa visão empreendedora, que mescle autoconhecimento, visão ampla das profissões existentes no mercado e tendências que se desenham para o futuro.
Três números são suficientes para refletirmos sobre a necessidade de uma nova maneira de formarmos as crianças e os adolescentes deste país. Primeiro, é fato que apenas 5% dos adolescentes sentem-se convictos na hora de prestar um vestibular. Segundo, a evasão nos cursos universitários chega a mais de 40%. E, terceiro, cerca de 75% dos brasileiros sonham em mudar de carreira. Ou seja, o sinal amarelo está aceso – e faz tempo.
Apesar desses dados desanimadores, os alunos dos ensinos Fundamental e Médio têm grandes sonhos e não apenas para si, mas para um país melhor, para um mundo melhor. E por que esses sonhos acabam diluídos muitas vezes em desilusão? Eis um desafio a quem se incumbe da missão de educar. Mais que isso: um desafio que nos convoca a arregaçar as mangas para construirmos um modelo que, em vez de frustrá-los, possa estimulá-los a conhecer mais para poder escolher e descobrir a si próprios antes de decidir diante do mundo que está à sua volta.
O brilho nos olhos dos estudantes é reflexo do brilho nos olhos da escola que se propõe a educá-los para a vida. Da escola que não se prende a velhas amarras, mas se abre aos horizontes do admirável mundo novo, o mundo que exige profissionais multifuncionais, que sejam maleáveis a mudanças e desafios, com ética e valores consolidados. Essa escola nasce em instituições, em governos, nas famílias e em todo e qualquer adulto que assuma seu papel de educador. Semente fértil que se plantada com amor e dedicação pode trazer frutos que se mostram como brilho nos olhos diante de uma vida que está em plena construção e merece ser festejada, construída, elaborada. Somos todos preparadores do olhar com que as crianças e os adolescentes perceberão seu futuro. E consequentemente, a sustentabilidade deste país.
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